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Um pouco da história de Ubatuba

Ubatuba no início não era “Ubatuba”. Era uma terra povoada pelos índios Tupinambás e Tupiniquins. Um povo que vivia da caça, coleta, pesca, além de praticarem a agricultura, sobretudo de tubérculos, como a mandioca e a horticultura. Tinham uma sociedade organizada onde todos tinham suas obrigações para manter a tribo.
divisão de trabalho era por sexo, cabendo aos homens as primeiras atividades e às mulheres o trabalho agrícola, exceto a abertura das clareiras para plantar, feita à base da "queimada", tarefa essencialmente masculina. O plantio e a colheita, o preparo das comidas e o artesanato (confecção de vasos de argila, redes, etc) eram trabalhos femininos. Instrumentos de guerra - arcos e flechas, maças, lanças - eram feitos pelos homens. Os artefatos de guerra ou de trabalho eram de madeira e pedra, e desta última eram inclusive os machados com que cortavam madeira para vários fins.

             Os índios Tupinambás eram os habitantes originais desta região. Costumavam construir suas tabas em pontos altos, nas margens de rios, para sua proteção. Alegres, amantes da música, da dança e dos instrumentos musicais, como flautas e tambores, utilizavam o cauim, uma bebida alcoólica à base de mandioca fermentada, para alegrar suas festas. Excelentes canoeiros construíram suas embarcações de cedro, guapuruvus e imbiricus para o transporte de até 30 pessoas.

             Viviam em paz com seus vizinhos de São Vicente, os Tupiniquins, até a chegada dos
 exploradores portugueses e franceses, que lutavam para conseguir trabalho escravo entre os indígenas. Incitados pelos brancos europeus, Tupinambás e Tupiniquins passam a guerrear, até reconhecerem sua dependência dos estrangeiros. Formam, então, a "Confederação dos Tamoios" (o termo Tamoios significa os mais antigos da terra), liderada por Cunhambebe, para combater os portugueses. Nessa época, o artilheiro alemão Hans Staden, de passagem por essas terras, se torna prisioneiro dos índios. Alguns meses depois consegue fugir, e de volta à sua terra relata a experiência no livro DUAS VIAGENS AO BRASIL. Tentando controlar a rebeldia dos índios, em 1563, os jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta partem de São Vicente com destino a esta região, conhecida por Aldeia de Iperoig, com a missão de pacificar os índios através de um tratado de paz. 
Desconfiados das verdadeiras intenções dos portugueses, os tamoios tomam Anchieta como refém durante cinco meses, até verem assegurada "A Paz de Iperoig". Alguns historiadores acreditam que foi nessa época que Anchieta escreveu na praia de Iperoig muitos de seus 4.172 versos do famoso “Poema à Virgem". Infelizmente houve conseqüências desastrosas desse contato com os homens brancos.     A falsa paz trouxe a exterminação quase total dessas tribos e perda de grande parte da cultura original desse povo. Há registro do ensinamento dado aos descendentes da mistura das raças que foram passados de família para família. Mas os índios foram-se de “Ubatuba” e migraram para regiões do interior do Brasil, desenvolvendo sua cultura e deixando para trás sua terra e parte de sua história.
Depois de tudo isso veio o desenvolvimento e a exploração de recursos naturais que beneficiaram a cidade, levando o nome de Ubatuba e promovendo-a a grande centro comercial. Cidades vizinhas dependiam desse comércio e no decorrer doa anos Ubatuba foi reconhecida também como Cidade Turística e hoje em dia o fluxo turístico na cidade chega a ser de 800 mil a 1.000 milhão de visitantes a cada temporada.


Ubatuba teve um início conturbado, mas sua natureza permanece linda e isso ninguém pode tirar desse povo que aqui habita. É uma das raras cidades onde podemos ficar tranquilamente com as portas abertas numa noite de calor e até esquecer uma janela aberta...
Agora sim a Paz reina, verdadeiramente, em Ubatuba... 
Meu amiguinho esquilo que conheci num momento de paz e tranquilidade...

12 comentários:

Nilce disse...

Ah, a Rodovia dos Tamoios...

Não sei como está a conservação. Faz tempo que não passo por lá.

Por aqui a chuva não tem dado tempo para recuperação dos estragos por mais que haja esforço pois são em sua maioria pedagiadas.

Que delícia saber um pouco da história de Ubatuba.

Bjs no coração!

Nilce

lolipop disse...

Bom dia Anita! Vi o seu blogue indicado pelo Alexandre e quis vir espreitar... Vim ontem e desde logo me fiz sua seguidora, mas quando quis deixar um comentário, havia qualquer coisa a funcionar mal e não consegui. Pelos vistos, na história de Ubatuba também figuram os meus antepassados rsrsrs...Eu sou Portuguesa e tenho um blogue pequenino, sobre o Japão. Fico feliz se me visitar...
Beijos e ternuras
PS O Alexandre fez tanto por mim e acho-o uma pessoa tão fantástica que amigos dele só podem ser iguais...

andreia inoue disse...

que massa a historia da tua cidade.
:D
e amei aquele esquilo,quero para mim,hahah.

Cesar Gonçalves disse...

oi querida :-)

amei seu blogue e seu texto, amo historia inter-cultural, sou português mas amo a cultura brasileira, ta no meu coração :-)!

beijoooooooooooooo

Hamilton H. Kubo disse...

Ahhh agora sim!! Não esta dando para comentar!! rsrs

Vejo que poderei aprender muito sobre Ubatuba por aqui!!
Adorei a história, a foto... E saber tanto que eu nem fazia idéia...

Beijos!

Anita disse...

Oi Nilce!
A história de Ubatuba é realmente apaixonante. Cada coisa que aconteceu!E ainda acontece, pois a história não acaba nunca...
Bjus e obrigada! : )

Anita disse...

Oi Lolipop!
Eu havia mudado a configuração dos depoimentos e nem percebi! O Alê que comentou comigo e daí voltei à configuração anterior. Ainda estou aprendendo a mexer nesse trem chamado BLOG!! hahaha
Então somos parentes distantes pois os portugueses colonizaram esse país e eu mesma tenho descendentes distantes desses colonizadores.
Visitei seu blog e já me encantei!
E quanto ao Alê se não fosse por incentivo dele acho que não teria coragem de fazer o blog não... Ele é realmente fantástico e me sinto honrada em ser chamada de amiga dele...
Obrigada! Bjus! : )

Anita disse...

Oi Andreia!
Esse esquilo deu um trabalhão para ser fotografado! É um bichinho muito arisco! E se a câmera não fosse boa eu nunca teria conseguido pois eu estava um pouco longe para pegar esse ângulo!rs Eu também queria um para mim. Ele é fofo demais!!rs
Obrigada!Bjus! : )

Anita disse...

Oi César!
Fico muito feliz de você ter gostado! Fique a vontade aqui no meu cantinho, ok? E obrigada!
Bjus! : )

Anita disse...

Oi Hamilton!
Pois é, meu amigo, Ubatuba tem uma história muito rica e cheia de detalhes!Isso foi só uma pincelada em tudo que aconteceu nessa cidade. Com tempo vou falar dos fatos curiosos e lendas daqui e que ainda rendem muita história em noites de fogueiras nos quintais..rs
Obrigada e bjus! : )

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Gostei da historia Anita. O nome Ubatuba, todo mundo fala, mas ninguém sabe o que significa. E muito menos sabe sobre a história legal da cidade.

Que legal vc divulgar as coisas da sua cidade. Assim a gente aprende bastante coisa da cidade e pega até mais amor por ela.

É isso aí! E adoro o esquilinho rs

Anita disse...

Oi Alê!
Ubatuba é riquíssima em destalhes históricos! E o nome é um charme à parte né?rs Era antes chamado de Ybatyba e foi mudando até o nome atual. E quer dizer "Terra de muitas flechas e canoas" e no brasão da cidade tem uma canoa com cinco remadores navegando no mar que faz menção a atividade dos indígenas estabelecidos nesta região. Os 5 remadores são: Cunhambebe, Aimberê, Pindabuçu, Coaquira e Araraí. Eles eram chefes da 5 tribos Tupinambá que formaram a Confederação dos Tamoios. Olha..tem muito o que contar dessa cidade viu...rs
Bjus Alê!E obrigada sempre! : )